Curiosidades: Burlesque, o filme
Quando uma das componentes do grupo, Giovanna, que é a autora deste post, começou a entender na disciplina o que era Teatro de Revista, imediatamente ela se sentiu motivada a estudar ainda mais.
Um dos meus maiores interesses nas estéticas e poéticas de artes cênicas é o burlesque atualmente, e essa curiosidade começou quando eu era bem nova. Por volta dos meus 14 anos eu estava pesquisando mais sobre a atriz Julianne Hough e encontrei o filme Burlesque (2010) no qual ela interpreta um papel secundário como dançarina de um teatro inspirado no cabaret de Bob Fosse. A partir dali a estética do burlesco continuou a me encantar cada vez mais. Portanto, percebo que falar desse filme é um relato de suma importância para o processo criativo do nosso grupo.
Burlesque é uma comédia dramática escrita e dirigida por Steve Antin. O longa conta a história de Ali, interpretada por Christina Aguilera, uma jovem que se muda para Los Angeles em busca de uma qualidade de vida melhor. Uma noite, ela ouve música na rua e decide segui-la, entrando em um clube burlesco onde Tess, interpretada por Cher, e suas dançarinas performam “Welcome to Burlesque”. Alise encanta e pensa em seguir uma carreira no palco, perguntando para Jack, interpretado por Cam Gigandet, o barista do clube como ela poderia trabalhar naquele estabelecimento. Jack a encaminha a Tess para um teste, mas ela não é nem sequer ouvida já que Sean, interpretado por Stanley Tucci, a expulsa do camarim. Em vez de sair, Ali começa a servir os clientes do clube como garçonete e a partir dali a trama acerca de sua carreira e romance se desenvolve com a participação de vários números musicais belíssimos ao longo do filme.
Ao assistir esse filme eu já fazia aulas de dança e estava sempre disposta a aprender mais estilos. A trilha sonora do filme que teve contribuições de Cher e Christina vivia nos meus fones de ouvido e hoje percebo que ambas são artistas importantíssimas para a cultura pop. Minhas noções sobre moda e maquiagem também se expandiram ali e, apesar de ser um filme romantizado e bem hollywoodiano, acredito que tem seu devido valor e partes importantes a serem destacadas.
Parando para pensar e analisar bem, essa obra foi uma das primeiras noções de feminismo que eu tive acesso na minha vida. Eu, ainda bem nova, vi nas personagens a possibilidade de ser sexy, sensual, bonita, talentosa... de ser uma artista e pessoa incrível sem ter que me submeter a nada que vá contra minha integridade, sem ter que diminuir ninguém para ascender, sem perder minha essência, sem fazer nada fora da lei ou imoral e tendo a possibilidade de uma vida profissional e pessoal separadas mas conectadas.
A Georgia, dançarina que a Julianne interpreta, foi um exemplo impressionante naquela época para mim. Ela se casa sem perder o seu emprego, e seu emprego também não a impede de ter um marido, ela não deixa de gostar do que faz e fazer o que gosta no ambiente de trabalho. Muitas vezes o emprego de dançarina de cabaré pode vir acompanhado do preconceito de que é necessário que haja prostituição, e tanto Georgia como Ali mostram que é possível ter esse emprego e simultaneamente ter uma vida tradicional, casar, ter filhos, uma coisa não leva necessariamente a outra caso você não queira.
Burlesque me mostrou pela primeira vez que ninguém manda no corpo de ninguém, que usar pouca roupa não significa que você quer ser estuprada ou que você não vai ter a opção de escolher seus parceiros sexuais e românticos, que dançar e cantar não é um crime e que se sentir sedutora, engraçada e bonita não é errado. Eu sou muito grata na verdade por esse filme ter sido o pontapé de algo que pelos próximos anos estaria na minha vida constantemente, o estímulo inicial dos meus estudos sobre mulheres, movimento feminista e também sobre a carreira de artista que eu queria seguir no futuro que até aquela epoca era inaceitável e considerada apenas um hobby.
Fiquei muito feliz também, mais recentemente, em saber que essa estética também se aplica ao mundo circense, porque atualmente eu sou acrobata aérea, mais especificamente trapezista, e poder mesclar tudo que eu amo de filmes, séries, livros, moda, maquiagem, dança, teatro e música no meu trabalho seria um sonho realizado.
Deixo aqui, para finalizar o post, uma playlist com os números musicais do filme em questão para quem tiver interesse ou curiosidade em assistir ou ouvir:
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